Valor que o Porto de Lisboa traz à capital depende da estabilidade a longo prazo’

Gonçalo Delgado, administrador do GRUPO ETE, defendeu o crescimento recíproco entre a cidade de Lisboa e o seu porto, durante a conferência ‘Lisboa, Capital Atlântica’, organizada em junho pela Câmara Municipal de Lisboa.

No painel de discussão moderado por Paulo Carvalho, Diretor Municipal de Economia e Inovação da CML, o responsável do GRUPO ETE referiu que o valor do Porto de Lisboa está diretamente relacionado com os horizontes temporais longos e estáveis que devem fazer parte dos seus planos de desenvolvimento, gerando uma oferta consistente para os diversos agentes económicos, desde logo pelos armadores internacionais que procuram essa estabilidade quando decidem os portos que querem utilizar.

A estabilidade no Porto de Lisboa gera igualmente estabilidade na enorme estrutura logística e económica que gravita na sua zona de influência. No caso concreto do Porto de Lisboa, para além do papel catalizador de valor para a cidade, tem hoje uma zona de influência bastante maior, já que o seu alcance é local, regional e nacional. A relevância e o alcance do Porto de Lisboa deverá merecer, por isso, o apoio e o compromisso por parte de decisores políticos na construção de planos portuários estáveis e de longo prazo.

Gonçalo Delgado lembrou ainda os números apurados em 2016 pelo estudo da Augusto Mateus & Associados, segundo o qual o impacto económico total associado ao Porto de Lisboa (incluindo efeitos diretos, indiretos e induzidos) se traduz em 58 mil milhões de € de produção nacional. De acordo com o mesmo estudo, este impacto representa 722 mil postos de trabalho (16% do emprego em Portugal), 23 mil milhões de € de VAB, 15% da riqueza gerada a nível nacional e 11 mil milhões de € em remunerações.

A conferência foi fruto da importância que a Câmara Municipal de Lisboa reconhece à economia do mar, do seu papel no crescimento económico da cidade e nas várias valências daquele recurso natural para o crescimento sustentável. No discurso de abertura, o vice-presidente da CML, Duarte Cordeiro, referiu a necessidade de uma concertação envolvendo várias entidades dirigida à valorização do mar enquanto recurso e património cultural, mas sobretudo enquanto enorme potenciador da atividade económica.

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